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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PAULO BRUSCKY E A VENDA DE UM ACERVO IMEMORÁVEL

Paulo Roberto Barbosa Bruscky (Recife PE 1949). Artista multimídia, poeta. Inicia suas pesquisas em 1969 e expõe seus trabalhos no Brasil e no exterior, em instituições como Parachute Center for Cultural Affairs, Canadá; Centro Lavoro Arte, Milão; e Small Press Archive, Antuérpia, Bélgica.

Em 1981, recebe um Guggenheim Fellowship para investigações de artes visuais, entre Holanda e Estados Unidos, e, em 1983, o 1º Premio Internazionale Andrea del Sartó, na Itália.

Há trabalhos seus nos seguintes acervos: Museu de Arte Moderna do México; MAC/USP, São Paulo; Wichita Art Museum; e Centro Wifredo Lam, Cuba.

IMPORTÂNCIA DE SUA OBRA
Paulo Bruscky é um pioneiro na aplicação artística de várias tecnologias, como gravação eletrônica, projeção de diapositivos, fac-símile, filme super-8, vídeo, xerox, off-set e mimeógrafo. Possivelmente, é o mais entusiasta promotor da mail art no Brasil. É também o pioneiro da videoarte fora do eixo Rio-São Paulo.


Conheci Paulo em Recife,Olinda e sabia de seu gosto intenso pela arte,até porque,óbvio o mesmo é um grande artista.mas, o conheci pelo seu acervo de Arte Postal, depois vi coisas suas,de seu acervo,de valor incauculável.
Hoje pretendendo desfazer-se,e,como sempre em Pernambuco,santo de casa não faz milagres,se vê desapontado com seu acervo,face o seu futuro e que o entendo- o muito bem.
O governo do estado de PÉ, não se manifesta,nem tampouco o federal pela Fundaj.
O acervo é história do Brasil,de Pernambuco e do mundo.
Onde anda Ana de Holanda,Ana veja isto , você eu a conheço,é séria,dê uma espiada nisto e creio que vc o conhece e Pii conhece Paulo.
O acervo é do Brasil e do mundo.
O acervo vai de arte postal, Hélio Oitica, João Câmara, Ladjane Bandeira,catálogos,cordéis,fotos,arterial do Brasil holandês .
Vamos gritar Paulo BRUSCKY .

Erikson Britto poemou Tambaú!!!!!!!!!!!

Erickson Britto

O artista paraibano começou seus experimentos com a criação de jóias, manuseando metais nobres como ouro e prata. Criou a obra “Saudação ao Sol”, selecionada pela Prefeitura de João Pessoa.

Erickson também participa da produção e direção de filmes institucionais, além da restauração de jóias em museus. Com graduação em comunicação, ele se dedica a pesquisas voltadas à arte contemporânea, na busca pelo aprofundamento de sua poética visual.( do Jangadeiro)
Erikson poemou Tambaú, soube ver a praia inspirando-se nos totens da Ilha de Páscoa,mas deu cara as nossas velhas e antigas gameleiras.
Um grande poeta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O marido (im)perfeito: o inferno é o Outro


Por http://www.amalgama.blog.br/05/2010/entrevista-felipe-pena/por Vanessa Souza (10/05/2010)
em Entrevistas, Literatura, Livros


a Vanessa Souza

Tenho vários motivos para ter devorado avidamente O marido perfeito mora ao lado, décimo livro do carioca Felipe Pena – jornalista, psicólogo e professor de literatura da Universidade Federal Fluminense. Diálogos instigantes e rápidos, personagens vivos e cheios de conflitos, cenários do Rio de Janeiro bem descritos, conceitos de psicanálise e as dores e delícias da convivência. Tudo isso com humor refinado.

O livro tem recebido ótimas críticas. Nesse caso, preciso discordar da máxima rodrigueana de que toda unanimidade é burra. O marido perfeito… é difícil de ser deixado de lado, pois cada capítulo leva ao seguinte. O enredo traz a história de um casal em crise. A mulher decide fazer terapia de casal. O homem a acompanha, a contragosto. Como não podem pagar pela terapia, procuram uma clínica universitária. Lá, são atendidos por cinco alunos de psicologia, que divergem nas opiniões sobre os problemas do casal. Até que um dos estudantes é sequestrado. Todos estão sob suspeita.

*

Amálgama: Como surgiu a ideia do livro?
Felipe Pena: Houve duas motivações, uma é que eu fiz doutorado em literatura, e sempre me incomodou o fato de que boa parte dos escritores brasileiros escreverem não para serem lidos, mas para serem estudados. Isso é muito irritante, eles esperam que as obras-primas deles recebam teses de mestrado e doutorado, mas não estão nem aí para o leitor. Acho que o leitor é muito pouco valorizado no Brasil, uma coisa que lá fora não acontece. Eu queria escrever para ser lido, o que parece ser uma redundância, mas não é. Quis montar uma estratégia, e precisava de algumas coisas que se encaixassem nela.

Primeiro, eu estudei a tragédia da literatura brasileira e o que não fazer: autorreferenciais, confessionais, nada disso. Jogos de linguagem, experimentalismo, tudo isso está sendo feito. Não há nada menos experimental do que o experimentalismo. É inacreditável porque é tudo igual, todo mundo experimenta, então virou regra. Eu quis fazer um enredo clássico, universal: DR, nada mais universal do que discutir a relação. Depois era preciso bolar uma estratégia narrativa. Você viu no livro que os capítulos são curtos, folhetinescos? Eu estudei muito Balzac. Ele escrevia para jornal, cada capítulo para o jornal do dia. O Balzac tinha que fazer o cara comprar o jornal do dia. E como eu já tinha o estudo da psicanálise muito aprofundado… Eu comecei a ler Freud com 18 anos, devo ter lido a obra completa dele pelo menos umas três vezes, mas nunca tinha feito psicologia. Eu sou jornalista, então pensei em fazer um trabalho de campo, que incluía a clínica universitária, como aluno. Sou professor, e não era aluno de graduação há muitos anos. Aí voltei, e o livro se formou durante os três anos e meio que eu fiz a graduação em psicologia, onde fui construindo o enredo, vendo as tragédias. Assim a ideia foi se formando, sendo escrita e reescrita. Muitas vezes. Aliás, eis o primordial para um livro: ter que escrever e reescrever. Tem dez livros ali. Das 300 páginas que formam o livro, 2.700 foram jogadas fora. É muita reescritura.

Já na época do doutorado eu queria fazer um romance, e escrevi O analfabeto que passou no vestibular, mas que tinha muito mais a função de falar sobre o ensino superior brasileiro, havia um pano de fundo. No Marido perfeito… não, eu tinha essa estratégia.

Na página nove há uma pequena explicação sobre quem são os 14 personagens principais. Como foi esse processo de criação deles? Você pensou neles individualmente?
Às vezes sim e às vezes não. A gente planeja algumas coisas e nada dá certo. Eles têm vida própria, tomam conta de mim. Quando eu tinha uns 18 ou 19 anos vi uma entrevista do Jorge Amado, falando isso: os personagens tomam conta, têm vida própria. Eu pensei: isso é papo de escritor. Não é. Hoje que eu escrevo ficção, vejo que é verdade. Os personagens têm vida própria. Um você planeja que vai ficar até o final do livro, e ele morre no capítulo dois. E outra que ia morrer no capítulo dois, acaba vivendo. E aí esses perfis todos vão caindo por terra, vão mudando. Eu escrevo todo dia, com disciplina, das cinco às oito da manhã.

Há algum personagem por que você tenha mais simpatia, ou ao contrário, que você goste menos?
Cada leitor vai ter sua preferência. Eu não tenho nenhuma. Eu não faço nenhum julgamento moral, todos os personagens são bons e ruins. Não tem nenhum mocinho ou bandido, são anti-heróis, cada um acha alguém perfeito à sua maneira. Pode ser a santa/santo, pode ser a mulher que gosta de ir na casa de swing, pode ser… Acaso eu fizesse julgamento moral, eu estaria me traindo. Eles tomam conta de mim e eu gosto e desgosto, da mesma maneira.

Na orelha do livro, o João Assafim, professor da UFRJ, cita Nelson Rodrigues: “Eles não sabem como é difícil escrever fácil”. Como foi para você sair da linguagem acadêmica e produzir um romance de leitura fluída?
Algumas pessoas estão me comparando ao Nelson Rodrigues, e é claro que eu vou achar isso um absurdo, não tenho pretensão nenhuma em ser rodrigueano. Mas eu não vou ficar nem um pouco chateado com isso (risos). Eu venho ensaiando isso há um tempo. Eu escrevi um livro que se chama Teoria do Jornalismo, que é adotado no primeiro período da faculdade de jornalismo. Ele é escrito em primeira pessoa. Ali eu comecei uma revolução na academia. Antes, todos os meus cinco livros publicados eram acadêmicos, minha dissertação de mestrado, tese de doutorado, aquela coisa que você sabe como é: quadrada, hermética, chata… Uma hora eu cansei: não agüento mais, quero me comunicar. Primeiro com meus alunos, aí fiz um livro acadêmico em primeira pessoa, contando conceitos e teorias do jornalismo, com experiências minhas. E tomei porrada de tudo quanto é lugar. Hoje, ele é meu livro mais vendido, adotado em 80 faculdades de jornalismo do Brasil inteiro.

Depois disso eu escrevi um livro chamado Jornalismo Literário. Também assim, tudo em primeira pessoa, brincando, contando histórias, falando do céu e do inferno, essas coisas. Ali eu esgotei e falei: está na hora de ir para a ficção, que era aquele projeto antigo, que eu tinha desde o doutorado. Eu tinha a ideia do Analfabeto na cabeça, uma historia real, que escrevi e teve uma repercussão grande e fui conversar com a Record. Eu já estava com O marido perfeito… sendo escrito. Eu apresentei para a Luciana Villas-Boas, diretora editorial da Record, só a ideia. E ela falou: onde é que a gente assina? Sem conhecer o livro, impressionante. Quando pronto, ela leu e se emocionou. Depois disso eu fiquei até assustado, todos dizendo que o livro era bom. E você fica inseguro… Será que ele é bom? Aí eles dizem que é, você acredita e vai em frente. Agora eu não saio mais da ficção.


-- A obra --
Parte do romance se passa em uma favela, ou comunidade. De onde você tirou esses termos usados pelos personagens? Confesso que foi a parte do livro que me incomodou.
Essa parte incomoda muita gente. As pessoas desconhecem que muitos universitários de classe alta falam naquela linguagem, principalmente no Rio de Janeiro. E toda essa convivência é real, e eu vi isso no trabalho de campo. A linguagem é uma transposição, é a única coisa em que o trabalho de campo é quase literal. Eu ouvia essas meninas falando assim, eu sei que elas falam nesses termos, eu só transcrevi. Aquilo é real e vai te causar estranhamento. Eu fui repórter por muitos anos, conheço bem a linguagem, subi muito morro. No trabalho de campo eu fui a baile funk, conheço a favela. Esta é a parte mais real do livro, a coisa menos ficcional, e é o que mais choca.

Teu livro me pareceu leve, eu li muito rápido. Mas ele também é permeado de conceitos de psicanálise e psicologia, inclusive aprendi um pouco de psicologia com a leitura. Quero saber qual foi tua intenção em incluir estes conceitos.
Este é o maior elogio que eu poderia receber. Não sabes como esse comentário me deixa feliz, eu não quero ganhar prêmio nenhum, só quero esses comentários dos leitores: li com prazer, li rápido, não consegui largar o livro. É isto que eu almejo. Este era o desafio, fazer alguma coisa que fosse leve, mas que não fosse superficial. São coisas diferentes, leveza é uma coisa, superficialidade é outra. O livro pode ser profundo, denso, mas ser leve. Ele não precisa ser pesado para ser denso. Ele tem uma densidade, traz conceituações, traz uma complexidade. Mas ao mesmo tempo traz prazer. Se eu consegui isso, eu atingi meu objetivo. Não era simplesmente passar o enredo. Era isso também, mas a partir dali aprender alguma coisa.

Quais seus escritores favoritos?
Isso é muito difícil. Vou tentar, mas posso cometer muitas injustiças. E não é nessa ordem: Balzac, Antônio Fonseca, Antônio Torres, Dionísio da Silva, Gabriel García Márquez, Hemingway, gosto muito de uma primeira fase do Saramago, e não gosto de outra. Minha principal influência é um sujeito chamado Walter Maia, que foi meu professor de redação na oitava série. Foi ele que disse que eu ia ser escritor, quando eu tinha 14 anos. Corrigindo uma redação ele falou: você será escritor. E até hoje eu sigo um único mandamento que ele tinha para uma boa redação: comece bem e termine bem, porque o meio vai chegar. Ele foi no lançamento do meu livro aqui no Rio, com metade da face paralisada – ele teve uma isquemia – e eu chorei como uma criança quando o vi. Nada me marcou mais no lançamento do que a presença do Walter Maia.

Quais livros estão na sua cabeceira hoje?
Leio vários ao mesmo tempo. Eu releio Freud e Lacan o tempo inteiro. Estou lendo um livro da Inês Pedrosa, chamado A eternidade e o desejo. Também está na minha cabeceira As palavras de Freud, do Paulo César de Souza. Comprei a nova tradução do Freud, aqueles três volumes que foram traduzidos do alemão. Estou lendo Lourenço Mutarelli, muito mais para entender o que ele diz, do que por um prazer estético. Estou lendo também um livro de crônicas do Carpinejar. Há um livro na minha cabeceira que ainda não li, mas vou ler, é O filho da mãe, do Bernardo Carvalho.

::: O marido perfeito mora ao lado ::: Felipe Pena ::: Record, 2010, 304 páginas :::
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Ariano Suassuna, cuja obra 'A Pedra do Reino' foi imortalizada em monumento com o mesmo nome


“Não tenho palavras para agradecer esta beleza. Linda, maravilhosa, extraordinária. Não poderia receber homenagem melhor do meu povo”. As palavras são do ilustre escritor paraibano Ariano Suassuna, cuja obra 'A Pedra do Reino' foi imortalizada em monumento com o mesmo nome que a partir desta sexta-feira (09) compõe o cenário urbanístico do Parque Solon de Lucena.

Bastante humorado em seu discurso de agradecimento, o escritor disse que esta era a forma de enganar a emoção: “O riso é uma defesa da emoção. Sou um sertanejo altamente emotivo. Agradeço profundamente a todos, ao prefeito, aos artistas, ao meu povo”.

Em seu discurso, o prefeito Ricardo Coutinho (PSB) afirmou que Ariano Suassuna é uma pessoa que constrói e alimenta nossa identidade cultural. “Eu não economizo palavras para homenagear Ariano Suassuna. Ele é um grande lutador do povo brasileiro, pois em muitos momentos da nossa história, quando muita gente se escondia, ele estava ali, chamando o povo. Este monumento representa o reconhecimento a tudo isso”, destacou Ricardo.

O monumento, criado pelo artista visual Miguel dos Santos e concretizado pela Prefeitura de João Pessoa (PMJP) em parceria com a iniciativa privada, integra uma série de obras que o governo vem realizando no centro da capital. Nesta sexta-feira também foi inaugurado o novo projeto de passeio público da rua Padre Meira. “A cidade está renascendo. E este espaço que é o Centro Histórico da capital, durante anos esquecido, vem recebendo muitas ações, a exemplo do Ponto de Cem Réis. São várias obras que revitalizam essa área, que é patrimônio nacional”, enumerou o prefeito.

O autor do monumento, Miguel dos Santos, disse que a obra simboliza a genialidade de Ariano Suassuna e o imaginário do povo brasileiro, em especial o povo paraibano. “Esta peça é a transposição do legado de Ariano e uma homenagem ao maior escritor vivo da cultura brasileira”, frisou o artista, que finalizou o discurso entregando uma escultura ao escritor paraibano.

A escultura
Após o descerramento da placa de inauguração do monumento, o professor Bira Delgado fez uma pequena explanação do que representava a peça. “Este é um momento raro na história paraibana. É um presente que Ariano recebe e deixa para o seu povo. Este monumento expressa a força, o poder, a alegria desse paraibano que enriquece a cultura com o seu trabalho. A partir de hoje essa peça passa a pertencer à humanidade. Quero agradecer à gestão municipal que traz a arte e a coloca em exposição em espaço aberto”, definiu o professor.

Um dos parceiros para a concretização da obra foi a Unimed. A empresa estava representada pelo seu presidente, Aucélio Gusmão. “Temos a consciência que o homem se firma pelo o que faz e produz. Ariano é um representante disso. Quando fomos convocados para ajudar neste projeto, nos sensibilizamos de imediato. Parabéns ao prefeito em trazer de volta para o nosso seio esse grande paraibano que é a pessoa de Ariano Suassuna”, destacou Aucélio.

E mais uma vez, o povo esteve presente para prestigiar mais uma obra realizada em melhoria da cidade. A festa teve ainda o brilhantismo do repentista Oliveira de Panelas, que fez uma homenagem, em forma de versos, a Ariano Suassuna, que no auge dos seus 83 anos estava acompanhado da esposa, dona Zélia Suassuna. De acordo com o artista Miguel dos Santos, além de Ariano, a peça homenageia João Suassuna, pai do escritor; Zélia Suassuna e os mestres Vitalino Pereira dos Santos e Antônio Francisco Lisboa.

Para o prefeito Ricardo Coutinho, a obra é de todos os pessoenses e merece ser preservada. “Não dá para a prefeitura cuidar sozinha deste monumento. Então eu peço o zelo de todos na sua conservação. Ele agrega valor a nossa existência, a nossa cidade”, pediu.

Homenagem na Câmara
No final da tarde, Ariano Suassuna foi homenageado na Câmara de Vereadores de João Pessoa, com a Comenda Cultural que leva seu nome, fruto de um requerimento do vereador Ubiratan Pereira (PSB). Ao lado do prefeito Ricardo Coutinho, e ao som da música ‘Meu Sublime Torrão’, Ariano recebeu a medalha no peito e se emocionou, principalmente quando foi citado o nome do seu pai, o ex-presidente da Paraíba, João Suassuna.
Redação iParaíba com Secom/JP

Propuestas especialmente pensadas para reflexionar sobre el diseño arquitectónico y desafiar los espacios expositivos.

Fundación Proa presenta una nueva edición del ciclo de intervenciones artísticas en el Espacio Contemporáneo: propuestas especialmente pensadas para reflexionar sobre el diseño arquitectónico y desafiar los espacios expositivos.

En esta oportunidad, Proa invitó al crítico y curador Julio Sánchez. Convocados por él, cinco artistas intervienen diferentes zonas de la Fundación, con proyectos site-specific que proponen una nueva mirada del lugar elegido.

Desde el 12 de noviembre hasta enero de 2012, la exhibición Fuga versátil presenta obras de Gabriel Baggio, Daniel Joglar, Irina Kirchuk, Andrés Paredes y Augusto Zanela. Curada por Julio Sánchez, la muestra construye, en sus palabras, “una verdadera fuga, un contrapunto de voces que se meten en el espacio para generar una combustión vibrante de formas y color”.

Gabriel Baggio expande “sus flores” por la pared de la terraza. Las rayas sutiles de Daniel Joglar toman el “pasaje” que está entre la Librería y el foyer. Irina Kirchuk elige el contorno del ascensor en el segundo piso; Andrés Paredes ubica su libélula en el Café y Augusto Zanela instala su visión del mundo en la entrada del Auditorio.

Fuga versátil cuenta con la coordinación de Santiago Bengolea y el auspicio de Ternium.

O Garoto da Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

por Manuela Santos (28/11/2011)
em Cinema




Acompanhar a trajetória de um menino de 12 anos, Cyril (incrivelmente interpretado por Thomas Doret), abandonado em um orfanato sem nem ser avisado pelo próprio pai — que, além de tudo, vende a bicicleta do filho antes de fugir –, não é nada fácil. Principalmente porque o garoto, como faria qualquer criança, continua na busca pelo amor do pai, que o espectador mais astuto já sabe que não será encontrado.

É bem compreensível a resistência do menino em aceitar a renúncia do pai, mas ainda assim assistir aos efeitos colaterais que recaem sobre Cyril dói demais. Além da decepção, a agressividade é o primeiro deles, seguido de um desdém ambíguo em relação àqueles que tentam ajudá-lo. Ambíguo porque quem pede à desconhecida que resgata sua bicicleta para que o receba nos finais de semana é ele mesmo e, depois que ela inexplicavelmente aceita o pedido e se torna devota ao menino (prefere-o ao namorado), ele demonstra toda sua rebeldia e ameaça a trocar de tutor, optando por um rapaz que vive de delitos mas que tem uma origem semelhante à sua e tenta seduzi-lo para o mau caminho.

É um filme cheio de “quases”: o menino quase fica sem a bicicleta diversas vezes, quase se rende ao mundo dos crimes e quase desistimos de acreditar que ele ainda tem solução. Eu confesso que suspirei aliviada todas as vezes em que esses “quases” não se concretizaram. A esperança vem da força que a já não desconhecida Samantha (Cécile de France – a mesma, mas amadurecida, de Um lugar na platéia) tem para lidar com as durezas na vida do menino; é como se ela tivesse uma cartilha indicando as melhores atitudes em cada momento e conseguisse seguir tudo à risca sem deixar as emoções atrapalharem o processo. Uma mãe não conseguiria tal feito. Para ela, não deve haver ilusões: é impressionante o momento em que faz o pai dizer na cara no menino que não o procurará, desfazendo a enganação prévia de que ligaria para o filho no próximo final de semana. Duro, com certeza, mas necessário.

Penso ser inútil nos indagarmos o que a leva a se dedicar tanto a Cyril, o que o filme também não explica. Prefiro sair do cinema crendo que assim como há pessoas tão pobres de amor (como o pai do menino), existem outras que simplesmente estão disponíveis para quem clama. Por isso a impressão que fica é que, mais do que um filme de abandono, este é um filme de acolhimento puro e simples, sem explicações lógicas, e é isso que o torna tão belo, já que os acontecimentos são colocados de maneira rasgada e crua, sem a mínima poesia.

Gostei muito do fato dos traços psicológicos das personagens não serem explorados (até saímos com a sensação de que elas nem têm nada de especial) e do filme explorar as situações adversas e inesperadas da vida e o modo como as pessoas as encaram, independentemente de quem elas sejam. A mesma Samantha agredida pelo menino depois o leva para passear de bicicleta e comer um sanduíche na sombra de uma árvore. O mesmo rapaz que vive do tráfico tem um cuidado incrível com a avó.

O Garoto da bicicleta é agridoce, e a mensagem que fica é: a vida vai colocando à nossa frente as mais diversas situações, boas ou ruins; o que você vai fazer delas é que definirá quem você é.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CARLOS FUENTES

Carlos Fuentes: “El verdadero boom latinoamericano es ahora”
El mexicano acaba de publicar “La gran novela latinoamericana”, un ensayo sobre el género y los que él considera sus mejores exponentes.



Jorge Luis Borges ya era un escritor consagrado cuando viajó a México y pidió conocer a Carlos Fuentes. No esperaba que el autor de La muerte de Artemio Cruz ni nadie lo rechazara. “Pidió verme y yo dije: ´no, no, no. Yo me quedo con el Borges autor´. Dicen que era difícil como persona. No quise saber nada del ser humano, quise quedarme con los libros, que constituyen un universo tan poderoso. ¿Para qué conocer al autor?”, se pregunta Fuentes, del otro lado del teléfono, en su casa de Ciudad de México.

Mejor le fue con su amigo Julio Cortázar. “Para mí fue un honor recibir, al mes de haber publicado La región más transparente , a los 29 años, una carta de 20 carillas de Cortázar en la que me trataba de usted y me señalaba lo que le había gustado. Era una carta muy sensible, inteligente y digna de Julio Cortázar”, dice sin disimular la emoción. Veintiséis años después, cuando Cortázar murió en París, Fuentes se enteró en Estados Unidos y enseguida llamó a México a su amigo en común Gabriel García Márquez. “´No creas todo lo que ves en los periódicos´, me dijo Gabo. Y tenía razón, Cortázar –el escritor– sigue vivo y era un ser humano maravilloso”, agrega Fuentes, que a sus 82 años, tras más de 20 novelas, libros de ensayos, cuentos y hasta una ópera, entiende el juego de las entrevistas.

El jueves llegará a las librerías de Argentina y del resto de Iberoamérica su libro más reciente La gran novela latinoamericana (Alfaguara), un ensayo sobre los escritores más paradigmáticos de la región y, también, una apología del género y una biografía literaria del propio Fuentes. Reflexiona sobre Bernal Díaz, el primer cronista de Indias, Rómulo Gallegos, Onetti, García Márquez, Vargas Llosa, José Donoso hasta llegar al colombiano Juan Gabriel Vásquez, el peruano Roncagliolo, el chileno Carlos Franz o los argentinos César Aira, Matilde Sánchez y Martín Caparrós. “Es un libro que fui haciendo a lo largo de la vida, porque tiene mucho que ver con mis lecturas de joven, con repasos, tiene que ver con amigos y escritores que me interesan. Es un libro muy personal, no es un manual ni un diccionario. Hay gente que falta, lo lamento. Soy mexicano y hablo más de México que de otros países. Pero hice el libro que yo quería y eso ya es motivo de satisfacción y de culpa. Ese es el origen del libro y acaso su destino también”, explica.

Habla de México pero también mucho de la Argentina, si hasta afirma que tenemos la literatura más rica del continente.

Si vamos país por país la literatura más rica del continente es, sin dudas, la de Argentina. El Martín Fierro y el Facundo son los únicos libros que rompen con la mediocridad del siglo XIX. El desarrollo de la literatura argentina es sumamente poderoso. Argentina está situada entre la vastedad del Océano Atlántico y la vastedad de La Pampa. Buenos Aires fue la respuesta a dos inmensidades a necesidades dictadas por la infinitud del espacio. La respuesta es urbana: una ciudad y una literatura.

¿Por qué incluye en este canon Borges si nunca escribió novelas?

Depende de lo que se considere como novela, porque a veces un cuento de Borges era un resumen de una novela. El Aleph contiene muchas novelas, igual que El jardín de los senderos que se bifurcan .

Usted habla de una nueva generación de escritores muy distinta a la del Boom, que usted compartió.

Nosotros si algo teníamos en común era que queríamos contar de nuevo la Historia de América latina. Sentíamos que no se había contado bien o entera. Cien años de soledad tiene ese propósito. En cambio, los nuevos autores no tienen encima ese reclamo histórico sino que hablan muy directamente de sus mujeres, de sus amantes, de sus ciudades, de sus profesiones, de la vida contemporánea y sobre todo urbana porque ha dejado de ser una novela agraria.

¿Y en términos de difusión?

En 1950 sólo había 3 escritores mexicanos traducidos en Francia. Hoy son más de 40 y también se traducen escritores argentinos, peruanos y colombianos. Oigame: éste es el verdadero boom , el de ahora, con una libertad de difusión mucho mayor que la que tuvimos nosotros.

Muchos, como Tom Wolfe, aseguran que a la novela está muerta, ¿por qué discrepa?

En las novelas se escribe lo que no se puede decir de otra manera. Las novelas dicen lo que no dice el periodismo o el arte pictórico. Hay un poder de creación y de perdurabilidad en la novela que no tienen otros modos de conocimiento. Las nuevas tecnologías –Internet, Twitter (que Fuentes usó sólo un día), el Ipad– no van a poder cumplir esa función. He visto a la novela amenazada por el cine, la televisión y la radio: la novela siempre permanece, se transforma.

Sus amigos García Márquez y Vargas Llosa ganaron el Nobel. ¿Usted no quería ganarlo?

¿Pues a quién no le gustaría? Pero cuando me dan el premio de Veracruz estoy contento. Uno no escribe para recibir premios. Ni Mario ni Gabriel escriben para ser premiados, escriben por un impulso muy importante y muy intimo. Además no lo recibieron Kafka, Tolstoi, Proust. ¿De qué se queja uno?


"Vivimos una crisis de civilización que empezó en el norte de Africa"
Tres acontecimientos obsesionan a Carlos Fuentes de cara a los próximos meses. A saber: Federico en su balcón , la novela que tiene a un resucitado Nietzsche como protagonista; un ensayo sobre grandes personalidades; y principalmente las elecciones presidenciales en México. “Yo era muy partidario de Marcelo Ebrard Casaubon, el actual jefe de gobierno de Ciudad de México, pero Manuel López Obrador le ganó la partida dentro del PRD . Todavía no se sabe quién será el candidato del oficialista PAN. Y el PRI tiene un candidato muy mediocre, un personaje funesto que se llama Enrique Peña Nieto”, se alarma.

Para Fuentes se trata de una elección menor en un país mayor en el que los problemas son gigantescos y los candidatos no ofrecen soluciones. “Son problemas inmensos. El crimen organizado está muy ligado a la relación con los Estados Unidos; hay millones de jóvenes sin estudio ni trabajo; una clase pobre que es la mitad del país y una clase civil intelectual social que ansía tener una democracia mejor que la que nos ofrecen. Hay factores de poder que pueden interrumpir el proceso y hay un ejercito que está en el margen por el momento. Veremos qué pasa”, diagnostica con esperanzas de las alianzas que pueda forjar López Obrador.

Fuentes no cree que los gobiernos de la región hayan forjado un modelo político y económico distinto al que propone Europa. Para él ya llegará el tiempo de los indignados latinoamericanos. “Hay una crisis de civilización muy amplia, que empezó a manifestarse curiosamente en el norte de Africa, llegó a Europa y ya cruzo el Atlántico, también llegará van a acabar en América latina”, insiste. Para él ésta es una crisis de las insuficiencias de la cultura y de la política. “Es algo muy difícil de definir salvo como un cambio de civilización”. Los gobiernos latinoamericanos empezarán también a temblar. “Hay muchos gobiernos anacrónicos en América latina. No creo que ninguno de los actuales gobiernos represente un cambio de sociedad, de civilización, un movimiento hacia adelante. No van a servir para la gente joven, que organizará manifestaciones en todo el continente y –primero– en los paises de regímenes autoritarios como Venezuela”, profetiza a caballo de sus dos pasiones, la política y la literatura.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Fábrica de Disco Rozenblit

Fábrica de Disco Rozenblit
Virgínia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br

A indústria fonográfica no Brasil teve sua primeira fábrica de discos – a Odeon – por iniciativa do imigrante tchecoslovaco, de origem judaica, Frederico Figner [Fred Figner]. A Odeon foi instalada no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, e manteve a liderança até 1924, quando o processo de gravação elétrica foi criado pela Victor Talking Machine, uma revolução na história da indústria fonográfica. Produziram-se, assim, os discos de 78 rpm (rotações por minuto) que reinaram até a década de 1960 e foram substituídos pelo LP (long playing = longa gravação), contendo entre quatro e doze músicas. No período de 1930 a 1960, o número de fábricas fonográficas no Brasil passou de três (Odeon, Victor e Colúmbia) para 150.

Dentre tantas, a única grande gravadora brasileira localizada fora do eixo Sul-Sudeste do País foi a Fábrica de Discos Rozenblit, que funcionou no Recife entre os anos de 1954 a 1984.

O comerciante José Rozenblit, criador da Fábrica de Discos Rozenblit Ltda., era proprietário de um estabelecimento comercial, as Lojas do Bom Gosto, que ficava próximo à Ponte da Boa Vista, no centro do Recife.

Lá, o cliente dispunha de seis cabinas, onde podia ouvir os álbuns antes de comprá-los ou não. Também podia se encontrar uma cabina especial de gravação, onde o cliente podia gravar jingles ou sua voz em acetato – algo raro no país. A Loja não vendia apenas discos, ela também comercializava eletrodomésticos e móveis modernos, contudo, os vinis eram os responsáveis pela sua fama na cidade. Vez por outra, artistas plásticos locais expunham seus trabalhos no espaço físico da loja (FÁBRICA..., 2005).

Dessa forma, Rozenblit se tornou conhecido entre artistas e intelectuais da cidade. Em 1953, gravou duas composições de frevo (que foram prensadas no Rio de Janeiro) escolhidas pelo maestro Nelson Ferreira – o frevo de rua Come e Dorme e o frevo-canção Boneca. O primeiro de autoria do próprio maestro e o segundo de José Menezes e Aldemar Paiva.

Esse fato foi decisivo para a criação da Fábrica de Discos Rozenblit. Em sociedade com os irmãos Isaac e Adolfo, a Fábrica, fundada em 11 de junho de 1954, e instalada na Estrada dos Remédios, no bairro de Afogados. A estrutura abrigava dependências que serviam adequadamente ao processo de produção de discos, desde a gravação até a comercialização. Possuía um estúdio que comportava uma orquestra sinfônica e um moderno parque gráfico.

A criação da Fábrica quebrou o sistema de dependência de uma indústria estrangeira, a RCA-VICTOR, para a produção e divulgação de discos de frevo e favoreceu a gravação de outros ritmos pernambucanos como o baião, coco, xote, maracatu, ciranda.  Aliás, a preocupação com a música local e regional caracterizou a produção da Rozenblit que, esporadicamente, também produziu alguma coisa do eixo Rio-São Paulo. Abriu filiais no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e investiu no mercado nacional: lançou artistas como Zé Ramalho e Tom Zé e sucessos de grandes compositores como Pixinguinha, Tom Jobim e Ary Barroso.

A Rozenblit também foi responsável por muitos sucessos internacionais. Parceira de gravadoras estrangeiras como Mercury, Barclay, Kapp entre outras, as matrizes de discos estrangeiros eram compradas, prensadas e embaladas e, dessa forma, a Rozenblit lançou no Brasil artistas como Steve Wonder, Diana Ross, Louis Armstrong.

A Fábrica de Discos também se dedicou a gravar vozes de escritores pernambucanos ora em prosa ora em versos, a exemplo de Gilberto Freyre, Ascenso Ferreira e Mauro Mota.

A marca visual dos discos da Rozenblit passou por vários selos de identificação onde o mais conhecido foi o Mocambo, utilizado desde 1953. Outros selos utilizados foram: Passarela, AU (Artistas Unidos), Arquivo, e o Solar.

Coube a Fábrica Rozenblit o pioneirismo de gravar um disco do bloco O Bafo da Onça, um dos mais conhecidos do carnaval carioca. No fim da década de 1960, gravou ao vivo as doze músicas classificadas do II Festival de Música Popular Brasileira promovido pela TV Record, São Paulo. Entre elas: Disparada, de Geraldo Vandré, e A Banda, de Chico Buarque.

O inovador movimento Udigrudi – o movimento contra-cultural recifense que conciliava o rock psicodélico e a música regional, ilustrado não apenas pela música, mas também por peças teatrais, textos, cinema, artes plásticas e até artesanato –  teve vez na Rozenblit. Dessa experiência, foram produzidos os discos Satwa (todo instrumental), de Lula Cortês e Lailson, e o Paêbirú-a caminho da montanha do sol, de Lula Cortês e Zé Ramalho, que também reuniu grandes nomes como Geraldo Azevedo e Alceu Valença.

O maior sucesso nacional da Rozenblit, entretanto, foi o frevo Evocação nº 1, de Nelson Ferreira, seguido da marcha-rancho Máscara Negra, de Zé Keti e Pereira Matos, e Maria Betânia, de Capiba.

Embora o pioneirismo na divulgação da música nordestina e regional e, com menos frequência, da música nacional resultasse no sucesso da Rozenblit, a competição com as gravadoras multinacionais enfraqueceu sua trajetória ascendente. As dificuldades financeiras começaram a surgir e se agravaram quando a Fábrica foi atingida pelas enchentes de 1966, 1967, 1970, 1975 e 1977. Em 1966, a Fábrica foi praticamente arruinada. Contando com a ajuda oficial e privada foi restaurada em alguns meses. Em 1967, a enchente destruiu quase tudo e a Rozenblit ficou funcionando precariamente. Em 1975, a ajuda veio do governo do estado de Pernambuco que, por intermédio do Condepe, concedeu empréstimo para compra de equipamentos para soerguer a Fábrica.

Na década de 1980, depois de muitos anos de sucesso e alguns de perda e grandes dificuldades financeiras, a Fábrica de Discos Rozenblit encerrou suas atividades.