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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Quadro de Vieira da Silva vendido por recorde de 1,5 milhões

Quadro de Vieira da Silva vendido por recorde de 1,5 milhões
24.10.2011 - João Pedro Pereira
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É o valor mais alto pago por um quadro de um artista português
Acima das expectativas, o quadro Saint-Fargeau (1965), da pintora nascida em Portugal e de nacionalidade francesa Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), foi vendido, num leilão em França, por 1,54 milhões de euros. É o valor mais alto pago por um quadro de um artista português.
A pintura fazia parte de um conjunto de obras da colecção privada do português Jorge de Brito (1927-2006) que foram levadas a hasta em Paris, pela leiloeira Tajan. Ao todo, estavam em leilão 20 obras de Vieira da Silva. Nem todas foram arrematadas, mas várias foram compradas por valores que atingiram as centenas de milhares de euros. A identidade dos compradores, que podiam licitar online, não foi divulgada.
A leiloeira estimara a venda de Saint-Fargeau entre os 800 mil e 1,2 milhões de euros. Acabou por ser arrematada com uma licitação de 1,3 milhões, a que se somam impostos e taxas. A Tajan já classificara a obra como a peça mais valiosa entre as cerca de 70 que foram postas à venda pelos herdeiros de Jorge de Brito, em lotes que incluíam sobretudo porcelanas e quadros de artistas portugueses (entre os quais Júlio Pomar e Amadeo de Souza-Cardoso) e estrangeiros (Amedeo Modigliani e Sonia Delaunay).
Preço não surpreende
Anísio Franco, conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, explicou ao PÚBLICO que o valor obtido por Saint-Fargeau, embora seja um recorde para uma obra de Vieira da Silva, "é natural" para "uma artista internacional".
Maria Helena Vieira da Silva nasceu em Lisboa, mas mudou-se para França quando tinha 20 anos e foi nesse país que viveu boa parte da vida, tendo obtido a nacionalidade francesa. No ano passado, o quadro Inverno já tinha sido vendido num leilão, também em Paris, por um pouco mais de um milhão de euros e este ano Conséquences Contradictoires e L'équité foram arrematados, em Londres, por valores próximos dos 543 mil e dos 571 mil euros.
Na mesma linha, o crítico de arte e comissário João Pinharanda afirmou que "não é surpreendente" o valor do quadro. Para Pinharanda, "o perigo do leilão" era serem colocadas à venda em simultâneo muitas obras da pintora, o que podia fazer com que "o mercado de Viera da Silva pudesse ficar baralhado".
Porém, o crítico frisa que o facto de a venda ter ocorrido em Paris pode ter ajudado ao desfecho, dado que cidade "consegue ter uma condescedência para com artistas da escola de Paris", na qual Vieira da Silva se integra. "Noutro contexto, em Londres ou nos EUA, poderia ter sido diferente. Acho que foi um risco [pôr 20 quadros à venda], mas [o resultado] é bom para o mercado da pintura da Vieira da Silva". Apesar do tempo que a pintora passou fora de Portugal, Pinharanda realça que "as raízes de inspiração são evidentemente portuguesas" e explica que o facto de a artista morar em França fez com que tivesse "adoptado a lingugagem [artística] internacional no tempo certo", emquanto os pintores que "que ficavam em portugal" estavam "desfasados".
O quadro de Vieira da Silva foi o único item a ultrapassar a fasquia do milhão de euros (e também o único para o qual esse patamar de preço estava previsto). Em segundo lugar na lista dos mais caros ficou uma pintura do italiano Amedeo Modigliani, arrematada por 700 mil euros (mais impostos e taxas), valor que é mais do dobro dos 300 mil euros estimados pela leiloeira. Em terceiro lugar, mas dentro do intervalo de valores previsto, ficou uma escultura chinesa de um búfalo, com 30 centímetros de comprimento, em jade e datada do século XVII - foi licitada por 600 mil euros. Ao todo, o leilão arrecadou quase oito milhões de euros e foi considerado um sucesso pela Tajan.
Anísio Franco nota que a colecção de Jorge de Brito é "a mais importante colecção portuguesa da segunda metade do século XX". A Tajan descreveu-a como "incontornável" na história da arte portuguesa contemporânea.
"É a mais relevante que se fez em Portugal", avalia Franco. "Tinha uma quantidade imensa de obras e grande parte eram de arte portuguesa". Notando que as colecções em Portugal tendiam a ser "muito fechadas", lembrou que "Jorge de Brito optou por olhar para além das fronteiras" do país.
Jorge de Brito começou como bancário no grupo Espírito Santo, tendo depois, no início da década de 1970, criado o Banco Intercontinental Português. Também nessa altura, fundou, entre outras empresas, a Brisa. Para além de investimentos imobiliários, decidiu aplicar o dinheiro numa vasta colecção de arte. Em finais de 1974 foi detido, por ter transferido para o estrangeiro 70 mil contos sem a autorização do Banco de Portugal e numa altura em que o grupo que geria estava fortemente endividado. Esteve ano e meio na prisão, antes de ser condenado uma pena de seis meses, que foi considerada cumprida quando proferida. Entre 1992 e 1994 foi presidente do Benfica.
A colecção, agora gerida pelos herdeiros, inclui ainda outras obras de Vieira da Silva, seis das quais estão na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa e em relação às quais o Estado português tem preferência de compra ao longo dos próximos cinco anos.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Paredes da Covilhã transformadas em Arte Urbana

Paredes e muros abandonados da Covilhã vão ser pintados e esculpidos por alguns nomes consagrados da arte urbana. JR, VHILS, Btoy ou ARM Collective assinam obras de pintura e escultura em várias capitais e, a partir de sexta-feira, deixam a sua marca na Covilhã.
As intervenções nos espaços da cidade fazem parte do Wool - Festival de Arte Urbana da Covilhã e arrancam com a pintura criativa de um edifício devoluto junto à Igreja de Santa Maria. Esta intervenção, no centro histórico da cidade, fica a cargo dos ARM Collective.
Até à próxima terça-feira, os artistas do grupo criar a sua arte "inspirada em graffiti" nas parede exterior do imóvel, explicou à Lusa um dos organizadores, Pedro Rodrigues, que espera que a população acompanhe o evoluir da obra de arte.
De 21 a 26 de Novembro será a vez de VHILS (designação artística do português Alexandre Farto) "esculpir figuras" numa outra parede a escolher na cidade.
O português tem obras espalhadas pelo mundo. Em vez de pintar, recorre ao martelo e cinzel para dar forma a figuras criando diferentes relevos e texturas na superfície escolhida.
Segue-se Btoy, artista urbana de Barcelona, Espanha, "dedicada à arte com stencyl", que vai estar em acção na Covilhã de 7 a 13 de Novembro e que vai ainda orientar uma oficina de arte em mural.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
JOÃO G KNOLL:“La literatura busca trascender la mediocridad de lo cotidiano
“La literatura busca trascender la mediocridad de lo cotidiano”
Lo comparan con Camus y Beckett. Es uno de los escritores más importantes de Brasil en la actualidad.
Alejandra Rodríguez Ballester
ESPECIAL PARA CLARIN Personajes solitarios cuya personalidad parece disolverse paulatinamente. Seres que traviesan escenarios contemporáneos y cosmopolitas como Londres o Boston, al borde de la irrealidad, el delirio o la amnesia. Estos son los personajes que habitan las novelas del Joao Gilberto Noll, uno de los escritores brasileños más reconocidos del momento, que por estos días participa del III Festival Internacional de Literatura en Buenos Aires (FILBA). Comparado con frecuencia con Beckett y Camus, Noll hace una crítica profunda de la sociedad globalizada y carente de utopías del siglo XXI partiendo del desasosiego existencial de su personaje, que, aunque cambie de novela en novela, nunca tiene nombre y para el autor es siempre uno y el mismo.
Ese personaje tiene mucho que ver con las migraciones, con el mundo globalizado. ¿Es allí donde ve el nexo con lo contemporáneo?
Sí, es una búsqueda insana de alguna cosa que mi personaje no consigue nombrar. Cuando yo comencé a escribir, en los 80, el mundo se vaciaba de utopías. Mi personaje va en busca de algo que la pueda sustituir. No lo encuentra, porque es un hombre solitario. Yo viví una adolescencia muy difícil, bastante antisocial, lo que escribo no es una autobiografía pero este hombre habita en mí. Lo mueve un deseo profundo de contemplación en un mundo donde la acción productiva es la norma. Su drama está allí. La novela es la búsqueda de algo que pueda trascender la mediocridad de lo cotidiano. La literatura es una forma de resistir.
Este hombre, que va perdiendo de todas las marcas sociales de su identidad, parece encontrar algo que tiene que ver con el cuerpo.
Para los personajes que viven dentro de este límite, el cuerpo es lo único que puede referenciar la vida, su resistencia. Son un lamento mis libros. Un convite para pensar en una nueva dimensión de la realidad menos funcional y más humana.
Sin embargo, aunque hay sufrimiento, también se percibe a veces algo de humor, el absurdo.
No pienso que soy un escritor del sarcasmo porque el contenido dramático es muy fuerte, pero cuando me releo encuentro un humor grotesco.
Usted ha hablado de Ernesto Sabato. Pareciera tener más relación con sus ideas que con su literatura.
No me gusta mucho la ficción de Sabato, sino un libro de ensayos:El escritor y sus fantasmas. Crecí en los 60 y 70, fui un chico marxista, y este libro de Sabato me liberó un poco del sentimiento culpable por querer hablar en la literatura de las cosas existenciales, de la soledad. Yo pienso que la soledad es un tema político. La literatura para mí es señalar la crisis: el mundo podría ser mejor.
En ese personaje suyo también hay un deseo de transformación, de devenir otro; la temática “trans” también es muy contemporánea.
Sí, hay un deseo profundo de ser otro, está fatigado de sí mismo, con certeza. La literatura somatiza las cuestiones de la contemporaneidad. La sociedad ofrece esta posibilidad de ser otro a través de cirugías plásticas, tantas cosas. El propio personaje está contagiado de ese deseo. La literatura es perversión.
Lo comparan con Camus y Beckett. Es uno de los escritores más importantes de Brasil en la actualidad.
Alejandra Rodríguez Ballester
ESPECIAL PARA CLARIN Personajes solitarios cuya personalidad parece disolverse paulatinamente. Seres que traviesan escenarios contemporáneos y cosmopolitas como Londres o Boston, al borde de la irrealidad, el delirio o la amnesia. Estos son los personajes que habitan las novelas del Joao Gilberto Noll, uno de los escritores brasileños más reconocidos del momento, que por estos días participa del III Festival Internacional de Literatura en Buenos Aires (FILBA). Comparado con frecuencia con Beckett y Camus, Noll hace una crítica profunda de la sociedad globalizada y carente de utopías del siglo XXI partiendo del desasosiego existencial de su personaje, que, aunque cambie de novela en novela, nunca tiene nombre y para el autor es siempre uno y el mismo.
Ese personaje tiene mucho que ver con las migraciones, con el mundo globalizado. ¿Es allí donde ve el nexo con lo contemporáneo?
Sí, es una búsqueda insana de alguna cosa que mi personaje no consigue nombrar. Cuando yo comencé a escribir, en los 80, el mundo se vaciaba de utopías. Mi personaje va en busca de algo que la pueda sustituir. No lo encuentra, porque es un hombre solitario. Yo viví una adolescencia muy difícil, bastante antisocial, lo que escribo no es una autobiografía pero este hombre habita en mí. Lo mueve un deseo profundo de contemplación en un mundo donde la acción productiva es la norma. Su drama está allí. La novela es la búsqueda de algo que pueda trascender la mediocridad de lo cotidiano. La literatura es una forma de resistir.
Este hombre, que va perdiendo de todas las marcas sociales de su identidad, parece encontrar algo que tiene que ver con el cuerpo.
Para los personajes que viven dentro de este límite, el cuerpo es lo único que puede referenciar la vida, su resistencia. Son un lamento mis libros. Un convite para pensar en una nueva dimensión de la realidad menos funcional y más humana.
Sin embargo, aunque hay sufrimiento, también se percibe a veces algo de humor, el absurdo.
No pienso que soy un escritor del sarcasmo porque el contenido dramático es muy fuerte, pero cuando me releo encuentro un humor grotesco.
Usted ha hablado de Ernesto Sabato. Pareciera tener más relación con sus ideas que con su literatura.
No me gusta mucho la ficción de Sabato, sino un libro de ensayos:El escritor y sus fantasmas. Crecí en los 60 y 70, fui un chico marxista, y este libro de Sabato me liberó un poco del sentimiento culpable por querer hablar en la literatura de las cosas existenciales, de la soledad. Yo pienso que la soledad es un tema político. La literatura para mí es señalar la crisis: el mundo podría ser mejor.
En ese personaje suyo también hay un deseo de transformación, de devenir otro; la temática “trans” también es muy contemporánea.
Sí, hay un deseo profundo de ser otro, está fatigado de sí mismo, con certeza. La literatura somatiza las cuestiones de la contemporaneidad. La sociedad ofrece esta posibilidad de ser otro a través de cirugías plásticas, tantas cosas. El propio personaje está contagiado de ese deseo. La literatura es perversión.
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