sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Vermelho Amargo – Bartolomeu Campos de Queirós

“Durante quatro estações, em todas as manhãs, o trem deslizava em frente de nossa casa. Nascia na cidade de um avô, que escrevia nas paredes, e morria na cidade de outro avô, com seu olho de vidro. Sempre suspeitei o nascer como entrar num trem andando. Só que não sabia de onde vinha nem para onde ia. E, no meu vagão, não escolhi companheiros para a viagem. Eram todos estranhos, severos, amargos, impostos. Também entrei sem comprar o bilhete de viagem. Minha bagagem, pequena, cabia debaixo do banco – da segunda classe – sem incomodar. Contrabandeava poucos pertences: uma grande dor que doía o corpo inteiro e a vontade de encontrar um remédio capaz de remediar o incômodo. Até hoje o mundo ainda não atracou. Vou sem escolher o destino. O trem estancava na minha cidade, trocava de carga e reabastecia-se. O mundo só nos permite uma baldeação definitiva.”Pág. 37-38
Trecho de um livro recente do saudoso Bartolomeu C. de Queirós. PROSA O romance “Vermelho amargo” (Cosac Naify), de Bartolomeu Campos de Queirós, foi escolhido o melhor livro do ano na quinta edição do Prêmio São Paulo de Literatura. Morto em janeiro de 2012, aos 67 anos, por insuficiência renal, o escritor mineiro foi laureado in memoriam, representado por sua editora, Isabel Coelho. Na categoria autor estreante, Suzana Montoro foi premiada com “Os hungareses” (Ofício das Palavras), sua estreia no gênero. Os vencedores da premiação literária do governo do estado de São Paulo foram anunciados na noite desta segunda-feira, no Museu da Língua Portuguesa. - Foi o último livro publicado por ele em vida, o primeiro em nossa editora. A vitória mostra que Bartolomeu é importante para a literatura brasileira, não só para a literatura infantojuvenil - disse Isabel Coelho, informando que o prêmio em dinheiro ficará com a família do escritor. by globo Li numa noite é de uma delícia absoluta, é poema sobre poema, de um viço total.. coisa rara; vez ou outra lembrava-me nosso MANOEL DE BARROS, mas Bartolomeu erA ele com ele, ou seja, ele mesmo de uma densidade de planalto falante tendo pendurado por todos os lados o doce de sua poética.Era um alcoviteiro do sonho, dA estética do delírio da fantasmagoria humana. Sõ lendo, quero conhecer sua cidde para beber seu cheiro. PauloVas

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