quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Mestres da forma Comemoração dos 90 anos de Amilcar de Castro e de Artur Pereira

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Os bichos de Artur Pereira encantam pela força e a ausência de rebuscamentos










Mestres da forma
Comemoração dos 90 anos de Amilcar de Castro e de Artur Pereira é uma chance de aprender com os dois grandes artistas. Minas Gerais não pode deixar esta oportunidade passar em branco

Sérgio Rodrigo Reis - EM Cultura


Os bichos de Artur Pereira encantam pela força e a ausência de rebuscamentos
Em Minas Gerais, a linguagem da escultura teve dois grandes mestres no século 20: Artur Pereira e Amilcar de Castro. Num extremo, “seu Artur” conseguiu criar em Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, obra de rara expressividade inspirada na natureza, nos bichos e nas figuras bíblicas. Do início ao final de sua carreira, Amilcar jamais se distanciou da proposta neoconcretista que o notabilizou: domar a chapa de ferro e, a partir dela, compor peças tridimensionais capazes de chamar a atenção dos mais exigentes admiradores. Algumas coincidências os aproximam. Os dois nasceram em 1920, morreram em 2002, tornaram-se referência e têm obras em franca ascensão no mercado de arte.

A comemoração dos 90 anos de nascimento da dupla é uma boa oportunidade para se aprender com o legado de ambos. A primeira retrospectiva do trabalho do escultor primitivista de Mariana, depois de passar pelo Rio de Janeiro e por Poços de Caldas, chegará em breve a São Paulo. Em julho, será apresentada na principal galeria mineira – a Alberto da Veiga Guignard, no Palácio das Artes. A iniciativa é do Instituto Moreira Salles, em tributo organizado pelo crítico Rodrigo Naves e pelo curador Ricardo Homen. Um livro acompanha a exposição, no qual o crítico explica a importância de Artur Pereira. “Muitas obras dele lembram esculturas de Brancusi: na recusa a rebuscamentos, na busca de formas típicas, na procura de significados em que formas e materiais se potencializam reciprocamente”, diz Naves.

A relação do curador com o artista é mais afetiva. Ricardo Homen o conheceu nos anos 1980, quando começou o burburinho sobre a existência de um artista incomum em certo lugarejo próximo a Mariana. Ao chegar lá, Ricardo se encantou com o jeito simples e austero como aquele senhor, ex-lenhador e carvoeiro, espalhava toras de madeira ao redor de casa. Dali surgiam bichos, galhadas e presépios. “A força de tudo aquilo me chamou a atenção”, diz o curador. A partir de então, Artur Pereira passou a despertar o interesse de colecionadores brasileiros e estrangeiros.

Entretanto, até a morte de Artur Pereira, sua rica produção passou despercebida pelo grande público. Hoje, as peças são objetos de desejo em leilões, com preços em franca ascensão. “Ele sempre sobreviveu do trabalho”, lembra Ricardo Homen. Só que, naqueles tempos, as cifras eram infinitamente mais modestas.

A exposição no Palácio das Artes recupera e democratiza a criação de Artur Pereira. A mostra começa com obras dos anos 1960, quando ele se dedicava a utilitários, passa por colunas, galhadas e bichos até chegar aos presépios. “De tudo o que vi, tentei pegar o mais curioso. É um recorte. Logicamente, outros poderão ser feitos”, explica o curador. Como a Galeria Alberto da Veiga Guignard tem grandes dimensões, ele espera “soltar” os bichos no espaço. “O pessoal tem enlouquecido com essa mostra. É uma obra que consegue chegar a vários tipos de público”, salienta Homen.

Para o curador, o mais interessante é a identidade e o pensamento expressos no trabalho de Artur Pereira. Vários seguidores ainda pesquisam as descobertas e soluções plásticas adotadas por ele. Nesse sentido, acredita Ricardo Homen, há proximidade entre os legados do artista de Mariana e de Amilcar de Castro. “Ambos foram grandes mestres de seu tempo. Artur Pereira criou bichos austeros que carregam coisas do lugar: são carrancudos e com olhar desconfiado. Trazem a austeridade encontrada na obra do Amilcar”.

Por várias vezes Ricardo testemunhou a admiração do artista plástico consagrado pelo trabalho do colega primitivo: “Amilcar adorava Artur Pereira, apresentou-o a várias pessoas e o colocava no patamar dos grandes escultores”, conta.


Legado neoconcretista de Amilcar de Castro dialoga com o mundo contemporâneo










Legado neoconcretista de Amilcar de Castro dialoga com o mundo contemporâneo

CORTE E DOBRA Amilcar de Castro nasceu em Paraisópolis, no Sul de Minas. Mas foi de Belo Horizonte, depois de temporadas no Rio de Janeiro e nos Estados Unidos, que ele projetou seu pensamento artístico para o Brasil. A partir da chapa de ferro cortada e dobrada, o mineiro compôs repertório estético de extrema coerência plástica. Começou realizando a Estrela, apelido da escultura feita a partir de três retângulos – dobrados pela diagonal e unidos ao centro, eles geravam peça em formato triangular. Amilcar encerrou sua carreira realizando uma derivação dessa peça seminal.

O escultor trabalhou muito. Nos últimos 20 anos de vida, experimentou processo de ascensão e valorização como poucos nomes da arte contemporânea brasileira. No momento em que se prepara justa homenagem a seus 90 anos, o processo continua, assim como a crescente mobilização em torno de seu legado.

Apesar do reconhecimento de sua importância incontestável e dos esforços da família Castro para propor programações em torno dos 90 anos, a maior parte dos projetos corre o risco de não sair do papel. Motivo: falta de patrocínio. Livros, exposições, concursos e até um filme deveriam integrar as comemorações. Se a situação não se reverter, é bem possível que apenas os livros e uma ou outra mostra pontual sejam viabilizados. Recursos ainda não foram garantidos para a maior mostra, uma retrospectiva, em agosto, no Palácio das Artes. O mesmo ocorre em relação ao documentário sobre o escultor.

“É importante realizarmos essas ações, pois elas mantêm a memória de um dos maiores artistas brasileiros do século 20”, salienta Pedro de Castro, filho de Amilcar e responsável pela organização de eventos em homenagem ao pa

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