quinta-feira, 27 de maio de 2010

Agora a programação da Flip está completa

Agora a programação da Flip está completa
8ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty será entre os dias 4 e 8 de agosto

Eventos
PublishNews - 27/05/2010 - Maria Fernanda Rodrigues


Ainda tem tempo até que os ingressos para a 8ª Festa Literária Internacional de Paraty comecem a ser vendidos, mas já é bom dar uma olhada cuidadosa na programação que está recheada de bons autores e ir selecionando as melhores mesas. Entre os 35 convidados de 14 países, estão Salman Rushdie, Robert Darton, Robert Crumb, Lou Reed, Collum McCann, Isabel Allende, Antonio Tabucchi, Azar Nafisi, Peter Burke, William Boyd, Benjamin Moser, Wendy Guerra, Alberto da Costa e Silva, Beatriz Bracher, Reinaldo Moraes, Moacyr Scliar, Ronaldo Correia de Brito e tantos outros.

Os ingressos deste ano, que serão vendidos a partir do dia 5 de julho (ou como mostra a experiência nas primeiras horas do dia 5), estão mais salgados. Assistir aos debates ao vivo vai custar R$ 40. Quem não conseguir ingresso para a tenda dos autores e se contentar em ver do telão paga R$ 10. Mas quem não puder fazer nem um e nem outro vai poder assistir de casa, pela internet, em tempo real.

São esperadas 20 mil pessoas entre os dias 4 e 8 de agosto, e o investimento total da organização, que conta com leis de incentivo fiscal, é de R$ 6,3 milhões. Esse valor não representa apenas o que será usado para fazer a Flip acontecer, mas engloba todas as ações da Casa Azul durante o ano em Paraty. E, de acordo com Mauro Munhol, presidente da entidade, isso está fazendo a diferença na cidade. “Paraty tinha qualidades fantásticas e tendia a seguir o caminho da decadência de outros destinos turísticos”. Eles perceberam que a cultura podia mudar o rumo das coisas e parece que está dando certo.

Sobre a programação, o curador Flávio Moura disse que tentou aproveitar ao máximo a presença dos escritores, que em alguns casos participam de diferentes mesas. E a ideia original da Flip de não repetir convidados não existe mais. “Se o autor lança um livro ou se tem alguma coisa interessante a dizer, é mais do que bem-vindo”, disse o curador. “Ter o Salman Rushdie como alguém que quer voltar é a maior honra para a Flip”, comenta. O show de abertura fica por conta de Edu Lobo e foi planejado para compor a programação em homenagem à Gilberto Freyre, que vai tomar boa parte das mesas de debate.

Faça o download da programação

Conheça os participantes da 8ª Flip

Abraham B. Yehoshua
Abraham B. Yehoshua (1936, Jerusalém, Israel) é formado em literatura e filosofia pela Universidade de Jerusalém e já teve quatro obras publicadas em português: A mulher de Jerusalém (2008), A noiva libertada (2007), Viagem ao fim do milênio (2001) e Shiva (2000). Desde 1972, o escritor, que já foi traduzido para 28 línguas, dá aulas de literatura comparada e literatura hebraica na Universidade de Haifa. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Alterman Prize, de Melhor Romance do Ano (1992), por Mr. Mani, o Viareggio (2005), pelo conjunto da obra, o Brenner Prize e o norte-americano National Jewish Book Award. Em 2007, o romance Five seasons foi considerado um dos dez livros mais importantes desde a criação do Estado de Israel. Yehoshua começou sua carreira como escritor logo depois de completar o serviço militar obrigatório em Israel. Seu primeiro livro, The death of the old man, foi publicado em 1962, quando ele tinha apenas 26 anos. Seu último romance é Friendly Fire, de 2008.

Alberto da Costa e Silva
Ocupante da cadeira nº 9 da Academia Brasileira de Letras, o diplomata, poeta, ensaísta, memorialista e historiador Alberto da Costa e Silva (1931, São Paulo, Brasil) vai participar de uma das três mesas em homenagem a Gilberto Freyre. Admirador do sociólogo brasileiro, Costa e Silva é reconhecido por seu trabalho como africanólogo – o imortal é o autor de A manilha e o libambo: a África e a escravidão de 1500 a 1700. Além de vários livros de ensaios, publicou ainda poesias, tendo ganhado, inclusive, o Prêmio Jabuti por Ao lado de Vera. Seu último trabalho, de 2009, é O quadrado amarelo, uma reunião de ensaios. Como diplomata, serviu em Lisboa, Caracas, Washington, Madri e Roma, antes de ser embaixador em Portugal, Colômbia e no Paraguai.

Angela Alonso
Angela Alonso (1969, São Paulo, Brasil) é professora do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Em Joaquim Nabuco – os salões e as ruas, Angela explora o pensamento de Gilberto Freyre na construção de uma sociologia brasileira. A professora escreveu também Ideias em movimento: a geração de 1870 na crise do Brasil-Império.É fellow da Fundação Guggenheim e visiting fellow da Universidade de Yale (2009-10). Suas pesquisas e publicações investigam as relações entre cultura, ação coletiva e os movimentos políticos e intelectuais.

Antonio Tabucchi
Com mais de vinte livros traduzidos em mais de quarenta línguas, Antonio Tabucchi (1943, Pisa, Itália) irá lançar, durante a Flip, O tempo envelhece depressa – uma reunião de nove contos cujo fio condutor é a relação dos personagens com o tempo. A editora Cosac Naify irá republicar ainda Noturno indiano, Afirma Pereira e Réquiem. Com onze títulos publicados no Brasil, entre eles Tristano morre (2007), Está ficando tarde demais (2004) e Os voláteis do beato Angélico (2003), Tabucchi mantém uma relação muito próxima com a literatura brasileira. Além de ser professor do Departamento de Língua Portuguesa da Universidade de Pisa, já traduziu Sentimento do mundo, a coletânea poética de Carlos Drummond de Andrade. Responsável pela edição em língua italiana da obra de Fernando Pessoa e pela difusão da literatura portuguesa em seu país, Tabucchi coleciona premiações. Recebeu o Médicis étranger por Noturno indiano (1991), os prêmios Campiello, Scanno e Jean Monnet de Literatura Europeia por Afirma Pereira (1995).

Azar Nafisi
Azar Nafisi (1955, Teerã, Irã) é autora de Lendo Lolita em Teerã. Traduzido para 32 línguas, o livro ficou por 117 semanas na lista de best-sellers do The New York Times e rendeu a Nafisi os prêmios de Livro do Ano de Não Ficção do Booksense, em 2004, e o Frederic W. Ness. Nafisi foi embora do Irã com 13 anos para estudar na Inglaterra e nos Estados Unidos. Voltou ao país natal em 1979, onde ficou por 18 anos. Ensinou literatura na Universidade de Teerã (de onde foi expulsa em 1981 por se recusar a usar véu, tendo retomado suas aulas apenas em 1987), na Universidade Livre Islâmica e na Universidade Allameh Tabatai. Atualmente, é professora visitante de estética, cultura e literatura do Foreign Policy Institute, da Universidade norte-americana de Johns Hopkins. Em seu livro mais recente, O que eu não contei, lançado este ano no Brasil, a autora investiga as ligações entre o passado de sua família e a conturbada história do Irã.

Beatriz Bracher
Formada em Letras, Beatriz Bracher (1961, São Paulo, Brasil) foi uma das editoras da revista de literatura e filosofia 34 Letras e cofundadora da Editora 34, onde trabalhou por oito anos. Beatriz, que já esteve na Flip em 2005, publicou em 2002 seu primeiro romance, Azul e dura, seguido de Não falei (2004), Antonio (2007) e Meu amor, seu livro mais recente, pelo qual recebeu, da Fundação Biblioteca Nacional, o Prêmio Clarice Lispector como melhor livro de contos de 2009. Além de escritora, é roteirista de cinema. Em 1994, escreveu com Sérgio Bianchi o argumento do filme Cronicamente inviável e, mais recentemente, com o mesmo diretor, o roteiro do longa-metragem Os inquilinos, com o qual conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio 2009.

Benjamin Moser
Tudo começou quando Benjamin Moser (1976, Houston, Estados Unidos), ainda na faculdade, fez um curso sobre literatura brasileira em que estudou A hora da estrela. A paixão por Clarice Lispector foi arrebatadora. Alguns anos depois, já vivendo na Holanda, soube que a escritora seria homenageada pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2005). Pegou o primeiro avião para o Brasil e desde então dedicou-se à biografia Clarice. Foram cinco anos “batendo em portas do mundo inteiro”, como ele mesmo explicou. Resenhada com destaque pela imprensa estrangeira, como o jornal The New York Times e a revista The Economist, a obra revela, pela primeira vez, aspectos fundamentais na trajetória da escritora, desde a origem miserável e violenta na Ucrânia – para onde o autor viajou – ao reconhecimento crítico. Moser tece relações entre a vida e a obra da brasileira numa narrativa envolvente. O sucesso do livro tem ampliado o interesse pela escritora no exterior. Formado em história, Moser é também tradutor e colunista da Harper’s Magazine e colaborador do The New York Review of Books

Berthold Zilly
Professor do Instituto Latino-Americano da Universidade Livre de Berlim, Berthold Zilly (1945, Danndorf/ Helmstedt, Alemanha) veio para o Brasil pela primeira vez em 1968. Poucos anos depois, entrou em contato com Os sertões, obra que se tornaria símbolo da sua atuação profissional dali para a frente. Grande interessado na construção sociológica do povo nordestino e brasileiro, Zilly credita o mergulho em Euclides da Cunha e no Brasil o fato de ter se tornado um grande pesquisador e conhecedor da formação do país como Estado. Além disso, é um dos principais tradutores alemães da atualidade. Em 1995 recebeu o mais importante prêmio de tradução da Alemanha, o Christoph-Martin-Wieland-Preis, por sua tradução de A guerra no sertão, de Euclides da Cunha, e em 2001 recebeu a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Verteu várias obras de escritores brasileiros para o alemão, entre eles Machado de Assis e Lima Barreto.

Carola Saavedra
Naturalizada brasileira, Carola Saavedra (1973, Santiago do Chile, Chile) publicou seu primeiro livro em 2005, Do lado de fora. Mais recentemente, lançou Toda terça (2007) e Flores azuis (2008), pelo qual recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca) de melhor romance. Em Paisagem com dromedário, sua última obra, Carola conta, por meio de 22 mensagens, a história de um casal de artistas plásticos. Nesse livro, a autora atualiza radicalmente o gênero epistolar, aproximando-o do cinema e do radioteatro.

Colum McCann
Autor de dois livros de contos e seis romances, como Zoli, Dancer e This side of brightness, Colum McCann (1965, Dublin, Irlanda) foi traduzido para mais de 30 línguas e teve seus textos publicados em revistas como New Yorker, New York Times Magazine e Paris Review. Começou a carreira como jornalista do Irish Press e já contribuiu com The Guardian, The Independent, La Republicca, Paris Match e The New York Times, entre outros. Seu último trabalho, Let the great world spin, lhe rendeu, em 2009, o National Book Award e foi considerado pela revista Esquire “o primeiro grande romance sobre 11 de
setembro”. O livro parte da famosa travessia do equilibrista francês Philippe Petit entre as torres do World Trade Center de Nova York, em 1974, para narrar histórias fictícias de anônimos que o observavam no momento.

Edson Nery da Fonseca
Apenas um ano depois, Edson Nery da Fonseca (1921, Recife, Brasil) está de volta à Flip. O biblioteconomista, que quase foi militar e monge, é um dos maiores especialistas do país na obra do sociólogo Gilberto Freyre. Professor emérito da Universidade de Brasília, também é pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco. Nery da Fonseca e Freyre cultivaram uma amizade de mais de quarenta anos. Os longos anos de estudo das obras de Freyre e a aproximação e convivência entre ambos renderam a Nery da Fonseca o título de Gilbertólogo, ou Gilbertófilo como ele prefere ser denominado. Organizou reedições de vários livros de Gilberto Freyre e, sobre ele, escreveu Novas perspectivas em Casa-grande & senzala (1985) e Em torno de Gilberto Freyre (2007), entre outros. Vive em Olinda, com muitos gatos e 12 mil volumes de livros.

Fernando Henrique Cardoso
Autor do prefácio da edição mais recente de Casa-grande & senzala e de diversos textos sobre a obra do homenageado Gilberto Freyre, o sociólogo e ex-presidente do Brasil (1931, Rio de Janeiro, Brasil) analisa na conferência de abertura da Flip a complexidade e as contradições do pensamento de Freyre. FHC viveu exilado no Chile e na França depois do golpe de 1964. Voltou ao Brasil em 1968 e assumiu, por concurso público, a cátedra de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). No ano seguinte, foi aposentado compulsoriamente e teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional nº 5. Fundou então, com outros professores e pesquisadores cassados, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Foi presidente do Brasil entre 1995 e 2002 e hoje coordena o Instituto Fernando Henrique Cardoso. Entre os seus livros publicados no Brasil estão: A arte da política: a história que vivi (2006); O presidente segundo o sociólogo, entrevista a Roberto Pompeu (1998); O mundo em português, um diálogo com Mário Soares (1998); A construção da democracia (1993); Dependência e desenvolvimento na América Latina, com Enzo Faletto (1969, reeditado em 2004) e Capitalismo e escravidão no Brasil meridional: o negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul (1962, reeditado em 2003).

Gilbert Shelton
Gilbert Shelton (1940, Houston, Texas) é um dos expoentes dos quadrinhos underground. Seus primeiros desenhos foram publicados na Texas Ranger, revista de humor editada pela Universidade do Texas, onde, em 1961 Shelton se graduou em Ciências Sociais. Residente em Paris, já publicou no Brasil Aventuras do gato do Fat Freddy, The fabulous Furry Freak Brothers e The Freak Brothers. O trio de maconheiros – Freewheelin' Franklin, Phineas T. Freakears e Fat Freddy Freekowtski –, sempre acompanhado do gato Fat Freddy, que vivia imerso em sexo, drogas e rock’n’roll, ajudou a estampar a cara da contracultura dos anos1960-70. Apesar de aposentados desde meados da década de 1980, quando Shelton se mudou para Paris com sua mulher, a agente literária Lora Fountain, são os Freak Brothers e suas inúmeras reedições em língua estrangeira que ainda sustentam o autor, atualmente envolvido na produção de um longa-metragem animado estrelado por eles.

Hermano Vianna
A grande missão de Hermano Vianna (1960, João Pessoa, Brasil) é dar voz e espaço à diversidade das manifestações culturais. Por isso, o antropólogo é cocriador do site cultural Overmundo (www.overmundo. com.br), ambiente virtual colaborativo voltado para a cultura brasileira e a cultura produzida por brasileiros em todo o mundo, em especial as práticas, manifestações e a produção cultural que não têm a devida expressão nos meios de comunicação tradicionais. É autor de O mistério do samba, em que investiga como o samba, música de morro discriminada pelo resto da população e reprimida pela polícia, transformou-se em símbolo da identidade nacional brasileira, e O mundo funk carioca, que vê nos bailes funks, fenômeno relativamente recente, o caminho para lidar com o modo de vida das camadas de baixa renda que habitam os subúrbios ou as favelas do Grande Rio.

Isabel Allende
A peruana naturalizada chilena Isabel Allende (1942, Lima, Peru) lançará na Flip seu mais novo livro, A ilha sob o mar. Depois de três anos sem publicar – seu último trabalho, A soma dos dias, foi lançado em 2007 –, Isabel volta à ficção com a história da escrava Zarifé. Jornalista desde os dezessete anos, estreou na literatura com A casa dos espíritos, em que utilizou os manuscritos das cartas que escreveu para seu avô, enquanto ele se convalescia no leito de morte, para retratar os fantasmas da ditadura de Augusto Pinochet. A escritora se transformou em um verdadeiro best-seller mundial, com dezoito livros publicados em mais de trinta idiomas.

José de Souza Martins
O escritor e sociólogo José de Souza Martins (1938, São Caetano do Sul, Brasil) é professor emérito e professor titular de sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, instituição na qual obteve o bacharelado, a licenciatura, o mestrado, o doutorado e a livre-docência. Na Universidade de Cambridge (Inglaterra), foi pesquisador visitante do Centro de Estudos Latino-Americanos (1976) e, em 1993-94, professor titular da Cátedra Simón Bolívar e fellow do Trinity Hall. Foi professor visitante da Universidade da Flórida (Estados Unidos), em 1983, e do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Portugal), em 2000. Autor de diversos livros de destaque, ganhou o Prêmio Jabuti de Ciências Humanas, em 1993 – com a obra Subúrbio – e em 1994 – com A chegada do estranho. Recebeu o Prêmio Érico Vannucci Mendes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 1993, pelo conjunto de sua obra, e o Prêmio Florestan Fernandes da Sociedade Brasileira de Sociologia, em 2007. Em 2008, lançou A aparição do demônio na fábrica. Publicou dezoito livros, entre eles A sociabilidade do homem simples, Sociologia da fotografia e da imagem e Fronteira.

John Makinson
Formado em inglês e história pela Universidade de Cambridge, Jonh Makinson (1955, Inglaterra) começou sua vida profissional como jornalista da agência de notícia Reuters e do jornal The Financial Times. Depois de fundar uma empresa de consultoria financeira, Makinson volta ao Financial Times, desta vez como diretor administrativo do jornal. Torna-se, então, diretor financeiro do Pearson Group, do qual o Penguin Group é subsidiário. Em 2002, Makinson é nomeado CEO da tradicional editora britânica. Na Flip, Makinson debaterá com o historiador Robert Darnton sobre o futuro do livro frente ao grande processo de transformação por que passa o mercado editorial

Lionel Shriver
Lionel Shriver nasceu Margaret Ann Shriver (1957, Carolina do Norte, Estados Unidos) e aos 15 anos mudou de nome. Formada e pós-graduada pela Universidade de Columbia e pelo Barnard College, nos Estados Unidos, viveu em Nairóbi (Quênia), Bangkok (Tailândia) e Belfast (Irlanda). Precisamos falar sobre o Kevin, seu oitavo romance, foi recusado por agentes literários e mais de 30 editoras, mas em 2005 ganhou o prêmio Orange, na Grã-Bretanha. Publicou ainda The female of the species, Checker and the Derailleurs, Ordinary decent criminals, Game control, A perfectly good family e O mundo pós-aniversário. Seu mais recente livro, So much for that, foi lançado em março deste ano. Vive em Londres e contribui para os jornais The Guardian, New York Times, Wall Street Journal, Financial Times e para o semanário Economist.

Lou Reed
Tudo começou com um piano clássico. Só foi pegar numa guitarra quando tinha dez anos. Aprendeu a tocá-la ouvindo rádio. Nos anos 1960, sua carreira atingiria o boom, quando a então desconhecida banda The Velvet Underground chamou a atenção do líder da pop art Andy Warhol. Roqueiro, letrista, vocalista, guitarrista e fotógrafo, o americano Lou Reed (1942, Freeport, Estados Unidos) é autor de livros de fotografia e, em julho, lança no Brasil Atravessar o fogo, obra que reúne 310 canções. No começo dos anos 1970, Reed iniciou sua carreira solo, emplacando o sucesso “Walk on the wild side”. Além de fazer música, o americano também contribuiu para publicações de prestígio. Em 1996, escreveu um diário para a revista americana The New Yorker sob o título “The aches and pains of Touring”.No fim de 2001 escreveu, especialmente para o The New York Times, por ocasião do 11 de setembro, o poema “Laurie, if you’re sadly listening”, em que tenta humanizar a tragédia. Faz uma ponte entre literatura e música ao lançar, em 2003, o álbum The Raven, inspirado na obra do escritor Edgar Allan Poe.

Luiz Felipe de Alencastro
Luiz Felipe de Alencastro (1946, Itajaí, Brasil) formou-se em história e ciências políticas na Universidade de Aix-en-Provence (França) e doutorou-se em história na Universidade de Paris-Nanterre. Ensinou nas universidades de Rouen e Paris-Vincennes. Desde 1986, é professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Atualmente, é professor visitante da cátedra de História do Brasil da Universidade de Paris-Sorbonne. Organizador do volume 2, Império - A corte e a modernidade nacional, da História da vida privada no Brasil, é também colunista de vários jornais e revistas.

Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke
Professora aposentada da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke (1946, São Paulo, Brasil) vive atualmente em Cambridge, Inglaterra, onde é pesquisadora associada do Centre of Latin American Studies da Universidade de Cambridge. É dela um dos mais importantes estudos sobre o autor de Casa-grande & senzala: Gilberto Freyre: um vitoriano dos trópicos. A narrativa, que rendeu à autora o Prêmio Jabuti de 2006 e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras, descortina o mundo cultural no qual Freyre estava inserido. O que se revela na obra é a construção de um novo paradigma que, de imediato, toma conta do imaginário nacional e contribui de modo decisivo para a “formação das almas brasileiras”. Em parceria com seu marido, o inglês Peter Burke, escreveu Repensando os trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre, obra que se apoia em ampla pesquisa para construir uma narrativa substancial sobre a vida e trabalho do sociólogo. Maria Lúcia publicou ainda As muitas faces da história, entre outros.

Moacyr Scliar
Moacyr Scliar (1937, Porto Alegre, Brasil) publicou seu primeiro livro, Histórias de um médico em formação, em 1962. A partir daí, não parou mais. São mais de setenta livros abrangendo o romance, a crônica, o conto, a literatura infantil e o ensaio. Sua obra é marcada pelo flerte com o imaginário fantástico e pela investigação da tradição judaico-cristã. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público bastante amplo de leitores, e em 2003 ele foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande quantidade de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o da Associação Paulista de Críticos de Arte - Apca (1989) e o Casa de las Americas (1989). O autor já teve seus livros traduzidos para doze idiomas. Entre suas obras mais importantes estão os contos e os romances O ciclo das águas, A estranha nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O centauro no jardim, este último incluído na lista dos cem melhores livros de temática judaica dos últimos duzentos anos, feita pelo National Yiddish Book Center nos Estados Unidos.

Patrícia Melo
Patrícia Melo (1963, Assis, Brasil), que esteve na primeira Flip em 2003, agora volta para falar sobre a arte de escrever thrillers psicológicos. Ganhadora do Prêmio Jabuti de Literatura em 2001 por Inferno, Patrícia também escreve textos para o teatro, como Duas mulheres e um cadáver e A caixa. Discípula de Rubem Fonseca, adaptou para o cinema Bufo & Spallanzani. No prelo, Ladrão de cadáveres, seu mais novo romance, que conta a história do carioca Reizinho, um menino que se torna traficante no Morro do berimbau. A escritora, roteirista e dramaturga escreve obras policiais e é conhecida por esmiuçar o funcionamento do raciocínio criminoso.

Pauline Melville
Primeiro veio a fama como atriz. Pauline Melville (1948, Guiana) participou de diversos filmes e séries de televisão. Depois, veio o reconhecimento como escitora. Logo seu primeiro livro, Shape-Shifter (1990), uma coletânea de contos que trata da vida pós-colonial no Caribe, lhe rendeu o Prêmio Commonwealth Writers. Sua escrita incisiva, engraçada e original foi elogiada por Salman Rushdie, que também estará na Flip deste ano. Seu conhecimento sobre o novo e o velho mundos e suas experiências multiculturais - filosofia ocidental de braços dados com mitos de criação ameríndios - resultam numa mistura marcada por uma perspicácia iconoclasta. A história do ventríloquo (1997) é seu primeiro romance. Por ele recebeu o Prêmio Whitbread e o Prêmio Orange. Publicou também The Migration of Ghosts. Seu último livro é Eating Air (2009).

Peter Burke
Peter Burke (1937, Stanmore, Inglaterra) foi professor de História das Ideias na School of European Studies, da Universidade de Essex, e deu aulas por dezesseis anos na Universidade de Sussex. Atualmente é professor emérito da Universidade de Cambridge. Especialista em Idade Moderna europeia, enfatiza em suas análises a relevância dos aspectos socioculturais. Foi professor-visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA–USP) de setembro de 1994 a setembro de 1995, período em que desenvolveu o projeto de pesquisa "Duas crises de consciência histórica". É autor de mais de trinta livros, muitos deles publicados no Brasil, como O que é história cultural?, A fabricação do rei, Hibridismo cultural e Uma história social do conhecimento. Em parceria com sua mulher, a brasileira Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, escreveu Repensando os trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre, obra que se apoia em ampla pesquisa para construir uma narrativa substancial sobre a vida e o trabalho do sociólogo. Seu último livro publicado no Brasil é O historiador como colunista (2009), uma coleção das suas colunas para o jornal Folha de São Paulo.

Reinaldo Moraes
Pela segunda vez na Flip, o escritor Reinaldo Moraes (1950, São Paulo, Brasil) é autor de Pornopopeia (2009), um dos grandes livros da safra mais recente da ficção brasileira. Publicou aindaTanto faz (1981), Abacaxi (1985), Órbitas dos caracóis (2003), um romance para jovens, e Umidade (2005), uma antologia de contos. Além disso, escreveu diversos roteiros para a TV.

Ricardo Augusto Benzaquen de Araújo
Pensamento social brasileiro, teoria social e sociologia da cultura são os principais objetos de estudo de Ricardo Augusto Benzaquen de Araújo (1952, XX, Brasil). Graduou-se em história pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC- RJ) em 1974, e concluiu o mestrado (1980) e o doutorado (1993) em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É professor titular e pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e professor assistente do Departamento de História da PUC-RJ. É autor de Totalitarismo e revolução: o integralismo de Plínio Salgado (1988) e Guerra e paz: Casa-grande e senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30 (1994), título pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Ensaio em 1995.

Robert Crumb
Símbolo da contracultura nos anos 1960, Robert Crumb (1943, Filadélfia, Estados Unidos) lançou, no fim de 2009, Gênesis – uma versão em quadrinhos do mais antigo livro da Bíblia. Para produzir a obra de 210 páginas, o cartunista se dedicou, por mais de quatros anos, aos estudos religiosos. Agnóstico declarado, antes de adaptar o livro do Gênesis para os quadrinhos Crumb já havia transposto obras de Franz Kafka, Charles Bukowski e Philip K. Dick. Entre os títulos publicados no Brasil, estão Kafka de Crumb, Fritz, the cat, Mr. Natural, Mr. Natural vai para o hospício e Minha vida. Crumb já vendeu quadrinhos com a mulher, na época grávida, pelas ruas de São Francisco, colaborou com o roteirista Harvey Pekar nos anos 1970 e foi tema do documentário Crumb, lançado em 1994 pelo diretor Terry Zwigoff. Em parceria com a esposa Aline Kominsky, produziu quadrinhos autobiográficos publicados pela New Yorker e reproduzidos no Brasil pela revista Piauí. Vive com a família no Sul da França desde 1991.

Robert Darnton
Robert Darnton (1939, Nova York) é historiador, formado em Harvard, Estados Unidos, e com doutorado em história na universidade inglesa de Oxford. Especialista em história da França do século XVIII, seus estudos estão voltados para o IluminismoeaRevolução Francesa. No Brasil, tem publicados os seguintes livros: O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa, Boemia literária e revolução, O beijo de Lamourette, Edição e sedição, O Iluminismo como negócio e Os dentes falsos de George Washington. A obra Best-sellers proibidos da França pré-revolucionária ganhou, em 1995, o prêmio National Book Critics Circle na categoria de crítica. Em 2007, Darnton assumiu a direção da Biblioteca da Universidade Harvard. Abraçou a missão de digitalizar e tornar acessível gratuitamente pela internet o conjunto da produção intelectual da universidade norte-americana. Seu último trabalho é The Case for Books: Past, Present and Future, de 2009.

Ronaldo Correia de Brito
Não é a primeira vez de Ronaldo Correia de Brito (1950, Saboeiro, Brasil) na Flip. O autor, que esteve na Festa em 2006, constrói sua obra a partir do cruzamento do imaginário sertanejo e da cultura popular nordestina com a modernidade. Foi nesse contexto que desenvolveu seu último romance, Galileia, título vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2009. Médico de formação, o cearense já publicou As noites e os dias (1996), Faca (2003), Pavão misterioso (2004) e Livro dos homens (2005). Por Pavão misterioso, escrito com Assis Lima, ganhou o Prêmio Zilka Salaberry 2007 de teatro infantil.

Salman Rushdie
Pela segunda vez o escritor indiano/britânico Salman Rushdie (1947, Mumbai, Índia) marca presença na Flip. De família muçulmana liberal e abastada, aos 13 anos foi estudar na Inglaterra e lá permaneceu, tendo se tornado súdito britânico. Em 1968, formou-se em história no King's College, em Cambridge. Depois de uma breve carreira como ator, passou a dedicar-se à literatura em 1971. Seu romance Os filhos da meia-noite ganhou o prestigioso Booker Prize (1981), o Booker of Bookers (1993) e o Best of the Booker (2008). Já Os versos satânicos (1988) valeu-lhe o Whitbread Prize e uma sentença de morte, promulgada pelo aiatolá Khomeini. Neste ano, Rushdie fala sobre seu novo romance, Luka e o fogo da vida. O livro é uma continuação de Haroun e o mar de histórias (1990), em que o irmão de Haroun se junta à missão de devolver ao pai, um contador de histórias, o dom de narrar.

Terry Eagleton
O crítico cultural Terry Eagleton (1943, Salford, Inglaterra) transita entre a crítica e a criação literária e já publicou mais de uma dezena de livros e inúmeras resenhas e artigos. Sua obra de maior destaque é Teoria da literatura: uma introdução, que traça a história do estudo de textos contemporâneos, desde os românticos do século XIX até os autores pós-modernos. Em seu último trabalho, Reason, faith, and revolution: reflections on the God debate, Eagleton reúne uma série de aulas ministradas na Universidade de Yale, em 2008. Neste livro, o crítico britânico põe em xeque o racionalismo defendido pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins e pelo jornalista Christopher Hitchense propõe uma reflexão de cunho materialista acerca dos conceitos de razão, fé e revolução.

Wendy Guerra
Correspondência vigiada, fotos nuas, prêmio aos 17 anos e diários. Tudo isso faz parte do universo de Wendy Guerra (1970, Havana, Cuba). A escritora não apenas vai lançar no Brasil Nunca fui primeira-dama, como virá pessoalmente ao país falar sobre sua vida e obra na Flip. A troca de correspondências com seu editor brasileiro fez com que ela fosse chamada pelo governo de Cuba para prestar esclarecimentos. Formada em Cinema, Wendy já posou nua para fotos mais de uma vez – sempre alegando que se despiu pela arte e não pelo dinheiro. Em 2006, recebeu o prêmio Bruguera por seu primeiro romance, Todos se van (escrito a partir dos seus diários). Publicou três livros de poesia: Platea a oscuras (pelo qual ganhou seu primeiro prêmio, da Universidade de Havana), Cabeza rapada e Ropa interior. É colaboradora de diversas publicações, como o jornal espanhol El Mundo e a revista Encuentro. Toda sua obra, apesar de publicada em oito países, permanece inédita em Cuba.

William Boyd
Multifacetado, William Boyd (1952, Acra, Gana) já foi crítico de televisão, professor de literatura inglesa na Universidade de Oxford e escreveu diversos roteiros de cinema, entre eles o do filme A trincheira, de 1999, do qual também foi diretor. Foram seus livros, entretanto, que lhe renderam reconhecimento. Seu primeiro romance, A good man in Africa (1981), lhe garantiu dois prêmios, o Whitbread e o Somerset Maugham. Em 1983, Boyd tornou-se membro da Royal Society of Literature. Ao todo, o escritor já publicou dez romances, três coletâneas de contos e uma coletânea de textos de não-ficção. Seu mais recente romance, Ordinary thunderstorms, publicado no final de 2009, narra a experiência de um jovem que, sem explicação, perde tudo o que outrora definia sua identidade.

William Kennedy
Jogadores, políticos, gângsteres e jornalistas, quase todos de origem irlandesa, se misturam e às vezes se confundem na obra do escritor William Kennedy (1928, Albany, Estados Unidos). Eles estão em O grande jogo de Billy Phelan, de 1978, relançado no Brasil neste ano. E, de alguma forma, estão em Kennedy, escritor de ascendência irlandesa admirador de jogos que já cobriu os métodos de gângster dos políticos quando trabalhava como jornalista investigativo do jornal de sua cidade natal, Times Union. Autor de mais de dez romances, Kennedy também escreveu peças de teatro, livros infantis e foi roteirista de filmes como Cotton Club (1984), de Francis Ford Coppola. Em 1984, ganhou o prêmio Pulitzer de literatura por Ironweed, que Hector Babenco levou ao cinema. É integrante da American Academy of Arts and Letters. Tem publicado no Brasil os seguintes títulos: O livro de Daniel Quinn, Ossos antigos e O ramalhete em chamas. Ironweed (1983) está no prelo e Velhos esqueletos, uma reedição de Ossos antigos, será lançada na primeira semana de agosto.

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