segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Não sou uma actriz nem quero estar a recriar a Piaf"

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por NUNO GALOPIMHoje

O novo álbum de Martha Wainwright é um tributo a Edith Piaf. A cantora celebra assim a voz que mais admira desde a sua infância.

A sua mãe e tia formam um dos mais históricos duos da folk canadiana (as McGarrigle Sisters). O seu pai, Loudon Wainwright III, é voz com carreira veterana na country. O irmão, Rufus, é uma das figuras mais aclamadas da música popular dos últimos dez anos... Ela chama-se Martha e, ao terceiro álbum, a que chamou Sans Fusils, Ni Souliers, à Paris (a editar na próxima semana entre nós) grava versões de canções de Edith Piaf, uma voz que descobriu em criança e que cedo aprendeu a admirar.

"Era muito miúda e foi o meu irmão [Rufus Wainwright] quem me mostrou os discos dela. Tinha uns sete ou oito anos e rapidamente tornou-se numa das minhas cantoras preferidas", confessa Martha Wainwright ao DN. Sentia-se encantada pela intensidade da voz. E então cantava por cima dos discos de Piaf, "com toda a força que tinha nos pulmões"... Foi por essa altura que se interessou também "por vozes que cantam com emoção". E aponta Nina Simone como outro exemplo formador.

O disco que agora apresenta começou a nascer como um concerto, que projectou na companhia de Hal Wilner, com quem havia já colaborado numa homenagem a Leonard Cohen que entretanto chegou ao cinema no documentário I'm Your Man, de Lian Lunson. Este encontro com Piaf, descreve-o como "mais desafiante" e "mais pessoal", no sentido que sentiu que "precisava de encontrar um caminho" seu para "chegar a esta música". Martha é clara nas palavras: "Não canto como a Piaf. Nem queria soar como a Piaf. Seria mesmo impossível. Não sou uma actriz nem queria estar a recriar a Piaf. Esta ideia teve mais a ver com uma tentativa de ver o que conseguia trazer de novo a estas canções", explica.

Chegou a ter dúvidas sobre se deveria fazer este disco. "Porque é uma voz famosa. E depois houve o filme... E toda a gente poderia pensar que estaria a saltar para um comboio em andamento", reflecte. "Mas mandaram-me mais de 200 canções. E apercebi-me da existência de uma obra... Com muitas canções incríveis que ninguém conhecia." E, acrescenta, "A poesia naquelas canções é linda."

Ainda recentemente Rufus Wainwright editou um álbum de homenagem a Judy Garland. Mas Martha sublinha que há diferenças entre este seu álbum e o do irmão. "O disco do Rufus era muito um tributo a Judy Garland numa escala que se ajusta a ele, que é com aquela dimensão... E com os arranjos originais. Este é diferente... Escolhemos canções que não são famosas", descreve. Canções como La Foule, Le Brun et le Blond, Les Grognards ou L'Accordéoniste surgem num alinhamento de 15 temas que, no próximo ano, Martha quer levar para a estrada. Entretanto pensa já numa possível versão em inglês destas canções para quem não fala francês, porque, explica, "há ali sentimentos que falam a uma plateia dos dias de hoje".

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