sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Viagem pelo rio da literatura brasileira

Fotografia © DN - Amin Chaar

por LusaOntem


Navegar nas palavras de escritores brasileiros nascidos nos cinco Estados ao longo do curso do Rio São Francisco, o maior do Brasil, é a proposta do Teatro Meridional, em "Contos em Viagem - Brasil, Outras Rotas".

Depois de um espectáculo também centrado nas letras brasileiras (mas só na obra de mulheres) e de outro dedicado a Cabo Verde, a terceira proposta deste "projecto teatral que tem a sua génese na literatura" - como o define o encenador, Miguel Seabra - estreia-se sexta-feira na sala do Teatro Meridional, em Lisboa.
Tendo por guias a actriz Gina Tocchetto e o músico António Pedro, o público é transportado "numa viagem através das emoções das palavras" de nove grandes escritores brasileiros: Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, João Guimarães Rosa, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Lêdo Ivo, Affonso Romano de Sant'Anna e Mauro Mota.
Eles nasceram nos estados brasileiros de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, atravessados pelos mais de cinco mil quilómetros do rio popularmente conhecido como Velho Chico, e foi essa a rota traçada: o rio como caminho e como metáfora da própria vida.
Ao longo de cerca de uma hora, a actriz, brasileira - e aqui o sotaque é importante, faz parte da viagem -, interpretará, partindo da imagem do contador de histórias, 15 textos destes nove autores, percorrendo um itinerário que começa em João Cabral de Melo Neto e termina com a "Síntese da Felicidade", de Carlos Drummond de Andrade.
Natália Luiza, que partilha com Miguel Seabra a direcção artística do Teatro Meridional, seleccionou os textos, em conjunto com Melânia Ramos, e fez também a dramaturgia deste espectáculo de regresso ao "tempo das histórias", das coisas "mais simples".
As histórias - defendeu - "são sítios de paragem que promovem um bem-estar que há algo em nós que biologicamente agradece".
"Procurámos que estes textos, para além de nos projectarem imaginários necessariamente geográficos, visuais, éticos, estéticos, tenham sempre uma dimensão de transversalidade humana que nos toque. Que não sejam dos brasileiros, que sejam dos portugueses, dos cabo-verdianos, dos alemães...", sublinhou.
"É aquilo que nos agrega, enquanto matéria das emoções e do essencial - coisas simples, reconhecíveis em todos os lugares do mundo", observou.
Até 19 de Dezembro, há bilhetes para esta viagem teatral pela literatura brasileira, suas personagens, universos e paisagens, que se realiza de quarta a sexta-feira às 22:00 e aos sábados às 17:00 e às 22:00.
Tags: Teatro Meridional, Literatura brasileira, Cartaz, Teatro
Reprodução http://dn.sapo.pt/cartaz/teatro/interior.aspx?content_id=1404725

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